Seja bem-vindo. Hoje é

Dia 5 de Junho de 2011 - Eleições Legislativas
Sócrates, o PM que levou Portugal à bancarrota e o Povo à miséria...!
Não se esqueçam deste pormenor...!
Andamos a votar nos mesmos à anos! Finalmente percebi que a culpa da crise
É DO POVO PORTUGUÊS!

“Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte, o país está perdido!”
Eça de Queiroz, 1872

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas..."
Guerra Junqueiro, 1886

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sexta-feira, maio 13, 2011

Os Agarrados

O Quarto Poder

À medida que se percebe que o programa de Passos Coelho é para mexer mais a sério na economia do país, mais as sondagens dão votos a Sócrates. Parece incompreensível.

E mais ainda que aumentem os adeptos de um homem que levou o país à falência, que é conhecido, até lá fora, por mentiroso e que só tem para dar PECs avulsos. Um terço da população quer viver instalado no estado socrático. Estes seis anos e meio de poder criaram uma teia, uma rede de dependências entre lugares e negócios para boys, simpatizantes e os que não são mas têm de ser. É a face oculta das empresas públicas, municipais e até privadas, fundações, institutos... fruto de uma estratégia política que tornou os portugueses ‘agarrados’.

Toda essa gente e famílias tremem só ao pensar que o cargo, o emprego, o negócio, o subsídio vão acabar... ainda não perceberam que, com ou sem Sócrates, nada será como dantes, porque a ajuda externa obriga a pôr fim a tudo isso. Os ‘agarrados’ ainda acham que o homem que tirou o curso ao domingo também pode dar a volta ao FMI e à Europa.Enganam-se! O episódio da taxa social única é um exemplo. Passos abre o jogo, Sócrates não. Por uma vez, o exemplo vem dos políticos, ao dizerem que não governam com este homem!

In Correio da Manhã online
13/05/2011 | 00h30
Por: Manuela Moura Guedes, Jornalista
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O grande comunicador explicado às crianças

O Cronista Indelicado

Estou capaz de dar uma dentada na próxima pessoa que se chegar ao pé de mim e disser que José Sócrates é "um grande comunicador".

À medida que o PS sobe nas sondagens é como se os dotes comunicacionais do primeiro-ministro crescessem na mesma proporção, aproximando-se do Olimpo da retórica. Oh, que comunicador extraordinário! Não me lixem. Kennedy foi um grande comunicador. Luther King foi um grande comunicador. Obama é um grande comunicador. Sócrates é um artista de circo, que faz sempre os mesmos truques na televisão, para grande espanto do povo.

Nos Estados Unidos ou em Inglaterra, onde as pessoas aprendem na escola a falar em público, qualquer estudante de retórica de 14 anos saberia desmontar os seus truquezinhos baratos. Aqui, acolhemos as performances de Sócrates como se elas fossem um prodígio. E toda a gente diz: "Ele nunca perde um debate!" "Ele nunca se atrapalha numa entrevista!" Por amor de Deus. Serei só eu a reparar que os extraordinários dotes oratórios de José Sócrates se resumem a ser capaz de canalizar todas as questões para três míseras ideias, que não aguentam 20 segundos de reflexão?

No próximo debate em que intervier, recorte este texto e confira. É muito simples: o que quer que seja que perguntem a Sócrates vai acabar numa destas três respostas. 1) "Só estamos assim por causa da crise internacional, a maior dos últimos 80 anos." 2) "Os partidos da oposição estão a assinar o mesmo PEC que recusaram, apenas por cobiça de poder." 3) "Eu posso ter cometido erros, mas nunca cometi o erro de não agir." Perguntem a José Sócrates "o que é que comeu hoje ao almoço?" e ele vai responder-vos 1, 2 ou 3. Perguntem-lhe as horas e ele vai responder-vos 1, 2 ou 3. É isto um grande comunicador? Nós já abdicámos de nos governar. Pelos vistos, também estamos dispostos a abdicar de pensar.

In Correio da Manhã online
13/05/2011 | 00h30
Por: Por João Miguel Tavares (jmtavares@cmjornal.pt)

Pobre povo, nação falida

Correio Político

Na introdução da recente e brilhante edição portuguesa do livro de Montesquieu ‘Do Espírito das Leis’ (Ed. 70), Miguel Morgado recorda que o filósofo francês defendeu que "não havia nada de nobre e belo na dependência da esmola" e que "uma nação que seja pobre não alivia o sofrimento de ninguém."

Através destas linhas de Morgado, também responsável pela tradução e pelas notas da obra-prima do século XVIII, é fácil constatar a actualidade de Montesquieu, desde logo em relação ao período que vivemos em Portugal. De facto, nada há de nobre e belo na dependência da esmola: a nação pobre em que Portugal se tornou, totalmente dependente da ajuda externa, nem sequer consegue acorrer aos que mais precisam.

É caricato ver José Sócrates arvorar-se agora como o grande defensor do "Estado Social" quando contribuiu ao longo dos últimos seis anos para a sua demolição.

Perante a decadência deste "Estado Social" socialista, talvez seja preciso reinventar o "Estado-Providência" de Montesquieu, para integrar e proteger os que já estão nas margens da sociedade. Com o País falido, a resposta só pode ser dada pelo pobre povo a 5 de Junho.

In Correio da Manhã online
13/05/2011 | 00h30
Por: Paulo Pinto Mascarenhas, Jornalista
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segunda-feira, maio 09, 2011

Marchar, marchar!

Correio directo

Parece que é um êxito (nas redes sociais, pelo menos) o vídeo ‘O que os finlandeses precisam de saber sobre Portugal’ – uma lição de História Pátria àquele povo bárbaro dos confins do Norte da Europa que nunca passou do barco a remos enquanto nós descobríamos o Mundo.

Mas estes momentos de exaltação patriótica mereciam mais rigor. O vídeo tem erros. Até a contar a nossa História metemos os pés pelas mãos. Tem sido esta a nossa sina: uma teia de enganos e equívocos. Seja como for, o vídeo mostra um país com História – ao contrário dos finlandeses, que não têm nenhuma. 

E eles, os bárbaros, ralados com isso. A Finlândia não tem passado – mas tem presente e, ao que tudo indica, futuro. Portugal é o que é: orgulhoso do passado, perplexo com o presente, assustado com o futuro.

In Correio da Manhã online
09/05/2011 | 00h30
Por: Manuel Catarino, subdirector

Nota: Quase totalmente de acordo com este artigo de opinião. E digo quase porque discordo, em absoluto, de generalizar: «orgulhoso do passado, perplexo com o presente, assustado com o futuro». Porquê? na parte que me toca, tenho orgulho do passado; não estou nada perplexo com o presente porque quem não pertence aos rebanhos da carneirada partidária, desde há muito que "sentia" que isto mais tarde ou mais cedo iria acontecer; e não estou nada assustado com o futuro porque já passei por situações muito mais graves e consegui ultrapassá-las. O que vejo é que há muita gente que não anda perplexa com o presente e também não anda assustada com o futuro porque continua a fazer a mesma vida de "lorde" que fazia há 10 anos atrás... O que significa que enquanto houver é para estoirar e quando não houver, Deus dará...
Além do mais e em ordem aos "bárbaros"  finlandeses, desde que apareceram os télélés, sempre optei pela Nokia. Desde que os "bárbaros" finlandeses se armaram em chicos-espertos ao não pretenderem ajudar Portugal, no âmbito da UE, optei pela Samsung ou pela LG onde existe muita variedade e melhor que a marca finlandesa. Nokia, nunca mais! Costuma dizer-se "amor... com amor se paga!"
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sábado, maio 07, 2011

O Troca Fintas

O Quarto Poder

Sócrates convenceu--se de que engana sempre os portugueses. Só isto justifica que tenha falado ao País negando-se a si próprio, com tal descaro. O inimigo FMI, que evitou até à última, até não haver dinheiro para salários, só para salvar a pele, agora, para Sócrates, passou a parceiro cordato.

O homem que "não governaria com o FMI" fala de um bom acordo que não inclui os cortes dos 13º e 14º meses como andou a ameaçar. O homem das "saudades que iam ter do PEC IV" devia ter pudor, vergonha de falar do tecto dos 1500 euros nas pensões, quando queria baixar as de 200. Sócrates fez a proeza de se elogiar pela ausência de medidas que só ele tinha inventado. 

Mas era a sua única saída, "à Sócrates", porque o pacote politicamente não lhe é favorável. A ajuda externa traz juros muito mais baixos e um programa de Governo com reformas que já deviam ter sido feitas. Até os medicamentos vão baixar. E mesmo J. Kroeger, da Comissão Europeia, disse que "as medidas seriam menos restritivas se tivesse pedido ajuda mais cedo". Sócrates não queria isto. Seria melhor ir a eleições dizendo que o PEC IV é que era bom e que ele é que tinha razão. 

Resta-lhe, por isso, fazer o que sempre fez, dar o dito por não dito. Aos portugueses, só lhes resta dizer basta!

In Correio da Manhã online
06/05/2011
Por:Manuela Moura Guedes, Jornalista

Nota: A Manela é que topa bem o Troca-Fintas, ou antes, o vendedor de banha da cobra, ou antes, o Pinóquio aldrabilhas, ou antes o tipo que veio da província com uma mão atrás e outra à frente e hoje tem uma vida abastada, aliás, como todos os da sua laia... Os trinta e tal por cento que dão votos a este intrujão, são os gays, os do RSI, os boys e as girls, os gajos das fundações, dos institutos, da banca, os sucateiros, empreiteiros & afins, porque se este gajo se vai embora, acaba a mama! Pois é...!!! Nestes espécimes, estão integralmente situados os tais TRINTA E TAL POR CENTO QUE VOTAM NELE!
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Peço desculpa por tudo. Sócrates, tu és o maior

O Cronista Indelicado

Durante os últimos seis anos eu escrevi textos críticos, violentos, impiedosos sobre o primeiro-ministro. Chegou o momento de me penitenciar por tudo aquilo que disse, por todos os textos que assinei contra a sua pessoa, apenas porque me faltou a clareza de espírito e a inteligência para perceber o quanto ele estava a trabalhar pelo bem do país.

Somente agora, ao ler o memorando da troika para os próximos anos, me dei conta de que o nosso primeiro-ministro é um visionário e um génio da governação. Sócrates arrastou o país até à beira da insolvência e colocou a pátria a chafurdar na lama apenas para a poder reestruturar de cima a baixo. Sempre pensei que ele fosse o vírus, e afinal é a vacina: injectou no nosso corpo a maleita para que nunca mais fiquemos doentes.

Reparem como Manuela Ferreira Leite acabou por ganhar ontem as eleições legislativas de 2009. Tudo o que ela disse na campanha que ia acontecer, aconteceu; tudo o que ela disse que era preciso fazer, vai ser feito. Chamar "memorando" ao documento da troika é o mesmo que chamar "malandreco" a bin Laden. Aquilo é o programa do governo para os próximos anos, que revoluciona Portugal em todos os sectores que contam: economia, saúde, justiça, educação.

Em vez de gastar milhões em estudos e consultores, Sócrates arranjou uma equipa de técnicos altamente qualificados que trabalharam de graça e no final ainda emprestaram 78 mil milhões de euros. O resultado está à vista: o programa com que a direita liberal sempre sonhou vai finalmente ser aplicado em Portugal. Sócrates, afinal, era um lobo neoliberal vestido na pele de um cordeiro socialista. A sua incompetência, o seu cinismo, as suas mentiras, eram apenas o estrume necessário para que um novo país crescesse forte e viçoso. Só tenho duas palavras para ele: obrigado, José.

In Correio da Manhã online
06/05/2011
Por: Por João Miguel Tavares (jmtavares@cmjornal.pt)

quinta-feira, maio 05, 2011

Foi muito porreiro, pá!

Dia a dia

O tempo é de alegria. O primeiro-ministro anunciou que Portugal conseguiu "um bom acordo" com a troika. Os funcionários públicos, que terão as progressões e os salários congelados nos próximos três anos, estão felizes por conservarem o subsídio de Férias e o de Natal. Os reformados, que terão remédios mais caros e menos pensões, respiram de alívio com os 14 meses garantidos.

Os desempregados, que vão receber menos subsídio durante menos tempo, também devem estar satisfeitos. E os contribuintes devem dar graças... vão pagar mais IRS, mais IVA e mais IMI.

Mas são os bancos que devem mostrar maior gratidão, depois do indecente ultimato dado ao Governo. A torneira do dinheiro vai voltar a pingar (12 mil milhões) para reforçar os seus capitais próprios e para continuar a emprestar a quem quiser trocar de casa, comprar carro novo ou ir de férias para destinos exóticos.

Se as condições do acordo são estas, e são tão boas, imaginem como não seriam se tivéssemos pedido ajuda há um ano! O que tivemos de suportar das agências de rating! A humilhação dos mercados, que massacraram sem dó a nossa dívida soberana, mês após mês!

Mas Sócrates diz que conseguiu um "bom acordo". Porreiro, pá!

In Correio da Manhã online
05/05/2011 | 00h30
Por: Miguel Alexandre Ganhão, Editor Executivo

O FMI no país de Alice

Correio Directo

Sócrates foi claro: o Governo conseguiu "um bom acordo" com o FMI. Um acordo que no essencial repete as medidas aprovadas pelo Governo e que, agora, o FMI iria "aprofundar" mas ao nível do "detalhe".

Sócrates transportou-nos para o País das Maravilhas de Alice, com uma comunicação que merece ficar nos anais da hipocrisia política. É que, ontem, o ‘detalhe’ do FMI lá veio. O FMI entrou de rompante no País das Maravilhas e acabou com a festa. 

O ‘detalhe’ é um pacote de 7 mil milhões de euros a pagar em dois anos pelas famílias e empresas. O ‘detalhe’ é uma saúde mais cara e mais pobre. O ‘detalhe’ são impostos a aumentar em toda a linha, do IRS ao IMI. O ‘detalhe’ é o Diabo desta história. E a palavra irresponsável uma arma fulminante.

In Correio da Manhã online
05/05/2011 | 00h30
Por: Eduardo Dâmaso, Director Adjunto

quarta-feira, maio 04, 2011

O sangue nas ruas

Portugal está deprimido, aflito, perplexo com o que lhe está a acontecer. Nada do que o prof. Medina Carreira não tivesse prevenido, com a veemência que lhe custou um rol de inimigos cheios de azebre. O costume, para quem recusa a obediência cega e não cala a voz da razão. Anteontem, na SIC, a excelente Clara de Sousa apresentou uma reportagem inquietante, que prova a dissolução dos laços sociais, pondo em causa a nossa própria identidade. Os portugueses estão a vender tudo o que lhes parece acessório e a desfazer-se não só de objectos que lhes são queridos como de utensílios absolutamente necessários. Afogados em dívidas, relegam o que lhes resta de privado e de pessoal para a esfera pública. Os exemplos fornecidos explicam-nos a dimensão da miséria em que subsistimos e a grandeza das dificuldades com que nos enredaram.

Estamos cercados de prestamistas, os maiores do quais, acaso, aqueles da troika, sem esquecer ou minimizar os compradores de oiro, de artigos em segunda mão, de recheios de casas, os quais não ocultam que "o negócio vai bem." A velha fórmula de Rockefeler: "Quando há sangue nas ruas, compra", parece dar amplo resultado.

Os piedosos discursos, cujo conteúdo se baseia na perda de referências, na ausência de valores, na desagregação de princípios, não constituem novos pressupostos de autoridade moral. Palavras, palavras. Os seus autores, na generalidade, são grandes responsáveis pela desumanização desta sociedade visível. Quem acredita, seriamente, nos dirigentes políticos?, os quais têm tripudiado não só sobre a natureza da sua função, como nos próprios rituais públicos.

Há dias, ante uma plateia de jovens, Eduardo Catroga, emocionado, incitou esta geração a enviar para tribunal, porventura para a cadeia, Sócrates e seus apaniguados. Só estes?, pergunta a minha malvada curiosidade. Não será verdade que o ex-ministro simboliza, ele também, um parágrafo da história?

As regras da arte almejavam uma sociedade que deveria basear-se em associações com características afectivas e solidárias. Nada disso. A ganância, a febre do lucro pelo lucro, o individualismo mais atroz criaram a sobranceria e o desprezo pelo humano. Onde se situa a fronteira da compaixão? As pessoas que querem permanecer elas próprias não têm espaço nem possibilidades. Esta exigência de compromisso perde-se com o desaparecimento do altruísmo de proximidade. Não nos cruzamos nas ruas, nos bairros, nas cidades. Trespassamo-nos, numa distância prática, física e mental que nos isola cada vez mais uns dos outros.

In Diário de Notícias online
04/05/2011
por BAPTISTA-BASTOS

domingo, maio 01, 2011

Lodo no cais

Avaliação Contínua

Entre uma bica e uma espreitadela rápida aos jornais, chega-me o som da conversa de dois reformados que, na outra ponta do balcão, mastigam o tempo que a vida ainda lhes reserva.

A tónica é o queixume e a tecla da crise ecoa com força. As críticas aos políticos rolam com facilidade e as setas ao Governo, e a Sócrates, em particular, revelam pontaria certeira. A tristeza maior concentra-se no desbaste que as suas pensões sofrem, ao ritmo e à medida das crises cíclicas que empobrecem o País.

O lamento cola-se ao que consideram o desrespeito pelos sacrifícios que marcaram anos e anos de trabalho. Interrogam-se sobre o direito que ao Estado assiste para alterar unilateralmente contratos e não se calam quanto ao facto de lhes ter sido arrancado muito dinheiro em descontos para a Segurança Social, com a promessa de reformas dignas e tranquilas, mas que, agora, sofrem reduções brutais. 

Esta cena do quotidiano, surpreendida numa pastelaria de esquina, traduz o desânimo, a descrença e a revolta que florescem num ambiente depressivo. A percepção de que Portugal é cada vez menos soberano e que, na prática, vai ser governado a partir do exterior, está a ser progressivamente interiorizada, não se estranhando a angústia que cresce na população e que não se restringe aos velhos, dada a falta de perspectivas que se abrem para as gerações mais novas.

A única coisa que, neste contexto, pode impressionar é o perene alheamento do primeiro-ministro, que cavou activamente a sepultura em que o País se enterra, e do PS. Ambos actuam como se não tivessem sido governo. O programa eleitoral apresentado esta semana é um mimo em matéria de desresponsabilização. Não há objectivamente soluções para dar a volta à situação, na vacuidade de ideias que o documento expressa. A culpa de tudo restringe-se aos outros que deitaram o Governo abaixo. 

É um disco rachado, a que não falta a estratégia de vitimização que José Sócrates tanto aprecia. A sua ida à TSF, num fórum instrumentalizado pela máquina socialista, só serviu para tentar acentuar esse papel. Os outros, todos os outros, em especial Passos Coelho, são uns malandros que desencadearam uma campanha contra a sua pessoa. É um discurso cansado e gasto que obriga o próprio PS a piruetas. No papel de bombeiro, Francisco Assis surgiu já a valorizar o PSD, por se mostrar disponível para "formular com o Governo uma linha de negociação para a ajuda financeira".

A expressão foi utilizada por Eduardo Catroga na carta enviada ao ministro Silva Pereira em que exige informação real sobre as contas públicas e em que ameaça falar directamente com UE, FMI e BCE. Sem transparência nos números e nas atitudes não se vai, de facto, a lado nenhum. A necessidade de consenso, tão apregoada ultimamente, pode converter-se numa armadilha, se servir apenas para impedir que o lodo se afaste do cais. O reconhecimento e a afirmação das diferenças são sempre preferíveis à paz podre do unanimismo. A hora é de verdade e não de fingimento. Ouçam a voz da rua e perceberão.

SOLTAS

PAGA QUE ÉS PORTUGUÊS

Portugal é um País cheio de originalidades. Soube--se, há dias, que a um agente da PSP que quer votar por antecipação, uma vez que se encontra a trabalhar no dia das eleições, lhe foi exigido o pagamento de dez euros para o poder fazer. Caso exemplar de como em Portugal se valoriza a participação cívica!

SEMPRE A SOFRER

Para a equipa de Jorge Jesus tudo parece ter de ser arrancado a ferros. O sofrimento dos benfiquistas no jogo com o Braga e a magreza da vantagem são exemplares quanto à desanimadora história desta temporada. Domingos Paciência não vai oferecer nenhum brinde na segunda-mão.

TRINTA VEZES ROTH

Já em Portugal ‘A Humilhação’, o trigésimo livro de Philip Roth. As vicissitudes que a vida pode reservar a qualquer um ficam bem expressas no que sucede ao protagonista, espelho da nossa vulnerabilidade. Vai, certamente, ser uma das obras mais procuradas na nova Feira do Livro.

NOTAS (Escala de 0 a 20)

17 - RADAMEL FALCÃO

Se dúvidas existissem, o jogo de quinta-feira desfez tudo: é um fantástico avançado, que deu grande capacidade competitiva ao FC Porto. A equipa sofrerá muito com a sua provável venda.

10 - TEIXEIRA DOS SANTOS

Nada disse sobre o seu afastamento das listas do PS, nem sobre as divergências com Sócrates. Há silêncios que incomodam mais do que discursos. Embora tarde, parece exibir vontade própria.

9 - JOSÉ MOURINHO

Tem razões de queixa do árbitro do jogo com o Barcelona, mas excede-se no seu comportamento. A exuberância das reacções é mais do que desabafo. Saber perder também é preciso.

5 - OLIVEIRA E COSTA

À medida que o julgamento do BPN avança, percebe-se a forma como geriu a instituição e os seus negócios. É um caso que exemplifica a necessidade de controlo sério sobre a Banca.

In Correio da Manhã online
30/04/2011
Por: José Eduardo Moniz (jemoniz@cmjornal.pt)

Pró-grama

Pensar alto

Ganhe o PS ou o PSD, o programa que irá governar o país é um e apenas um: o do FMI. Aliás, essa imposição política será conhecida um mês antes das eleições transformadas, portanto, num plebiscito. Abandonadas as ideias, sobraria a personalidade. Assim, PS e PSD, mais do que nunca, procurariam teatralizar grandes diferenças para se distinguirem. Qual escolher?

Os portugueses preferirão alguém que é o responsável pelos últimos seis anos, ou alguém que nunca assumiu responsabilidades? Incompetência ou inexperiência? Escolherão um currículo com licenciatura ao domingo ou um CV resumido a "jotinha-líder"? Optarão por um estilo animal-feroz ou por um género mais Páscoa-Feliz? Preferirão um líder que finge que tem programa apresentando o anterior (com prazo de validade expirado), ou um líder que finge que tem programa chovendo propostas (com prazos de validade inferiores ao de um iogurte)? Um verdadeiro dilema, não é?

Não. O próximo inquilino de São Bento não será Primeiro-Ministro, nem sequer um gestor. Tratar-se-á apenas de um porta-voz. Logo, sem ideias e sem personalidades, as craveiras do PS e PSD descobriram uma terceira via para se diferenciarem: insultos. O concurso já abriu e é bastante foleiro. Mas foi o que se arranjou.

In Correio da Manhã online
30/04/2011
Por:Joana Amaral Dias, Docente Universitário

sexta-feira, abril 29, 2011

O programa eleitoral do PS e a aquicultura

O cronista indelicado

Passei a noite de quarta-feira a ler o programa eleitoral do PS. Valeu a pena: é raro ver tanta mediocridade concentrada em apenas 70 páginas. Sabem quantas vezes aparece a palavra "FMI" no programa eleitoral do PS? Zero vezes. A palavra "bancarrota"? Zero vezes. "Default"? Zero vezes. "Juros"? Zero vezes. "Austeridade"? Uma vez (deve ter escapado). E uma palavra tão importante quanto "aquicultura"? Bom, a aquicultura, que como todos sabemos é aquilo que neste momento mais preocupa os portugueses, é referida quatro vezes.

O programa eleitoral do PS parece ter sido escrito para governar Marte. Ele está tão fora da realidade que até lá se escreve que o défice de 2010 foi de 6,8% do PIB, quando ainda esta semana ele foi corrigido para 9,1% (e a crescer). Prepare-se: com o rigor nos números que caracteriza a malta do Largo do Rato, ainda vamos ter um PEPS (Programa Eleitoral do PS) IV. Aquilo que há dois dias chegou às mãos dos portugueses é uma nova demonstração de que quando o teleponto se apaga não sobra absolutamente nada na cabecinha do nosso querido engenheiro.

Estamos em Abril de 2011, há uma troika no Terreiro do Paço, e o programa eleitoral do PS não tem uma única palavra concreta sobre como reduzir o défice, diminuir o peso do Estado, repensar a segurança social ou reformular as leis do emprego. A única coisa que preocupou o inefável Sócrates foi antecipar-se ao PSD e poder debitar o sound bite da noite: "A oposição foi rápida a destruir e lenta a apresentar ideias." Que se tenha chegado à frente com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma não o preocupa minimamente. Afinal, o que interessa um programa quando temos um animal feroz, sempre tão vivo e resplandecente? José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa vai salvar o país através da aquicultura. Uma salva de palmas para ele.

AMOR À PRIMEIRA VISTA: ENTRAR NO DISCO VOADOR DOS CLÃ

As canções infantis nunca foram particularmente bem tratadas em Portugal, e as nossas criancinhas parecem condenadas a ouvir os enlatados pimba que passam no canal Panda. Daí que a notícia de que os Clã lançaram para a rua um disco com temas dedicados aos mais novos (mas sem os tratar como atrasados mentais ou analfabetos sonoros) só possa ser encarada com o maior entusiasmo.

15 SEGUNDOS DE FAMA: AS FOLEIRICES DO FOLEIRO LELLO

É com certeza foleiro José Lello ter chamado "foleiro" a Cavaco Silva apenas por não ter sido convidado para passear pelo Palácio de Belém no dia 25 de Abril – como o seu comentário bem o demonstra, Cavaco não tem de admitir nos seus jardins deputados mais apetrechados para circular pelas tabernas de Lisboa. Mas ainda mais foleiro foi o seu comentário posterior, atribuindo a foleirice a uma "arreliadora deficiência tecnológica". Boa piada. A forma como hoje os nossos políticos trincam a verdade como quem mastiga um bife diz muito acerca do lamentável descrédito em que a classe chapinha diariamente.

ENTREVISTAS IMAGINÁRIAS

PEDRO PASSOS COELHO, LÍDER DO PSD:"EU NÃO TENHO DE ME ESCONDER COM QUEM ME CASEI"

– Caro Passos Coelho, mas que ideia foi aquela de aparecer com a sua mulher em revistas cor-de-rosa e num vídeo de Páscoa?
– Ora essa, mas agora um político está proibido de aparecer em público com a sua legítima esposa? Não me diga que acha que o lugar de uma mulher é em casa, a cuidar dos filhos e a preparar o jantar…

– Não acho. Mas é que tudo aquilo teve um ar muito encenado…
– O que é que o senhor está a insinuar? Lá porque José Sócrates não quer e Paulo Portas não pode, isso não significa que eu tenha de esconder a pessoa com quem me casei. Tenho muito orgulho na minha família.

– Ninguém diria. A sua mulher naquele vídeo parecia um bibelô.
– Um bibelô?!?

– Sim, um bibelô. Limitou-se a olhar para si. E a olhar. E a olhar. E no fim desejou uma feliz Páscoa para todos.
– Quem desejou uma feliz Páscoa fui eu. A minha mulher desejou, isso sim, uma Páscoa feliz. Ela pensa pela sua própria cabeça, senhor jornalista!

In Correio da Manhã online
29/04/2011
Por: João Miguel Tavares, jmtavares@cmjornal.pt
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Os inocentes

O quarto poder

O 25 de Abril de Cavaco Silva foi muito pouco inocente. Quatro presidentes apresentaram-se limpos de culpa, como se, nestes 37 anos, nada tivessem feito, em Belém e S. Bento, para traçar o destino do País.

Quatro políticos com regras de boa conduta para políticos, pairando acima dos políticos. Os discursos, motivados pela crise nacional, não falaram de como se chegou até ela (e parece que para muitos portugueses ainda não é óbvio) mas do que é preciso para a vencer, o tal consenso.

Cavaco, há dois anos, não achou necessário um governo maioritário. Agora acha e, para isso, os quatro presidentes querem que Passos se entenda com Sócrates. Isto é condicionar as eleições, a vida política, moldar o futuro. É pior! É dizer que é normal governar outra vez depois de ter levado o país à falência. Passos sentiu-se cercado e reagiu contra a pressão para se entender com quem não é de confiar. Portas assobiou para o lado. Sócrates aproveitou. Na sua infinita bondade, abriu-se ao diálogo, aliás, como sempre. E terá sido eficaz.

O ‘produto’, para vender, ajusta-se como ninguém. Mas teve a ajuda de Abril. Uma aliança… santa, sem o pecado original, abençoada pelos quatro presidentes em homilias urbi et orbi. E teve a ajuda de Passos, que diz o que pensa!

In Correio da Manhã online
29/04/2011
Por: Manuela Moura Guedes, jornalista
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Ir ao circo com o PS

Correio Político

Não há em Portugal profissionais da propaganda comparáveis com os que trabalham para o Partido Socialista. José Sócrates e os seus assessores podem vangloriar-se de uma fabulosa invenção. A patente é do PS: depois do info-entretenimento, chegou o tempo do político-divertimento.

Dizem que os socialistas ocultam a verdade aos portugueses, mas no estado lastimável em que o país se encontra, qualquer incauto sai de alma lavada dos espectáculos de luz, som, cor e dois telepontos ao serviço do querido líder do PS.

Na apresentação do programa eleitoral socialista, esta quarta-feira, fui testemunha de um milagre: lá fora está o FMI, o défice de 9,1% em 2010 (embora no programa cor-de-rosa seja apenas de 6,8%), a recessão a manter-se em 2012, os cortes nos salários e os mais de 600 mil desempregados – mas no CCB todos podiam "contar com o PS para defender Portugal e construir o futuro". Seja ele qual for.

Como disse Sócrates, o que faz falta é "um espírito não negativista que envenena mentalmente as nações". Ele próprio sempre foi daqueles que considera essencial "a vontade de ter sucesso". Falta o pão, mas o circo promete continuar.

In Correio da Manhã online
29/04/2011
Por: Paulo Pinto Mascarenhas, jornalista
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terça-feira, abril 26, 2011

Um espelho para o dr. Jorge Sampaio

O dr. Jorge Sampaio deve pensar que a malta é desprovida de memória. Ontem, este notável ex-Presidente disse que o problema de Portugal está na "falta de sustentabilidade" de muitas políticas públicas . Perante isto, pergunto: este é o mesmo Dr. Sampaio que, em 2003, lançou a farpa da irresponsabilidade?

Este é o mesmo Dr. Sampaio que disse "há vida além do défice"? Convém ter memória, meus amigos. O otimismo lorpa que estava (e está) a montante desta farpa de 2003 é a grande causa desta crise. "Há vida além do défice" continha (e contém) todos os vícios do otimismo irresponsável que achava (e acha) que o défice, a dívida e a despesa são coisas de merceeiros, e não coisas de políticos com "uma visão". "Há vida além do défice" continha (e contém) a cultura política que nos conduziu ao presente buraco.

É a cultura política que despreza as contas, que despreza a realidade, que despreza o abismo entre os desejos e as possibilidades. E tem sido aí (no abismo entre o querer e o poder) que os portugueses têm vivido. Esta suspensão da realidade foi possibilitada pela cultura política dos dr. Sampaios desta terra. É bom ter memória.

Ontem, o dr, Sampaio disse ainda que muitos políticos não estão à altura das suas responsabilidades. É verdade, sim senhora. Mas o dr. Sampaio devia colocar um espelho à sua frente na próxima vez que afirmar semelhante coisa.

In Expresso online
Henrique Raposo (www.expresso.pt)
8:51 Terça feira, 26 de abril de 2011

segunda-feira, abril 25, 2011

25'Abr'74


Comemoram-se hoje 37 anos sobre a data da Revolução dos Cravos, ou golpe militar dos Capitães de Abril, que acabou com a ditadura de António de Oliveira Salazar, no poder durante quase meio século, seguido de Marcelo Caetano, último governador do regime ditatorial.

Podia ser uma data a lembrar efusivamente pelo sentido a que foi dada: a libertação do Povo Português da ditadura, a instauração da Democracia e o início de uma fase de progresso para Portugal e para o seu Povo, mas infelizmente essa Revolução dos Cravos, oferecida de mão beijada pelos Capitães de Abril aos políticos, foram o início de uma aterradora fase de retrocesso económico e social que, em 3 décadas, levou Portugal à bancarrota, a 3 intervenções do FMI (todas elas com governos socialistas - Mário Soares e Sócrates) e gerou a desconfiança total na classe política.

Enumerar aqui as misérias produzidas por Mário Soares, Cavaco Silva, Guterres, Durão Barroso e Sócrates (Santana Lopes foi um acidente de percurso devido ao abandono e fuga do Cherne para a Europa) é um trabalho de más memórias que ainda causam maior depressão, por isso apenas pergunto: comemorar o quê? A miséria? O desemprego? A bancarrota? O FMI? Os milhares de milhões da dívida acumulada por todos os políticos que continuam impunes? As fortunas acumuladas por políticos que chegaram à política com uma mão à frente e outra atrás e hoje estão podres de ricos? As múltiplas reformas milionárias de ex-Presidentes da República, ministros, deputados, amigos, compadres, sucateiros, mafiosos e corruptos? As miseráveis reformas de pensionistas que nem chegam para a farmácia? A fome declarada que já grassa por esse País fora enquanto outros andam de pança a abarrotar? Que é feito dos milhares de milhões que entraram em Portugal, oriundos da CEE/UE? Que é feito da nossa frota pesqueira que Cavaco Silva destruiu? Que é feito da nossa Agricultura, da Indústria Têxtil e de Calçado?

Por mim, esta data é como outra qualquer do nosso calendário. Não tenho nada para comemorar porque não me identifico, não com a data original que criou uma nova Esperança para Portugal e para os Portugueses, mas com o que dela saiu e continua a existir, pelas mãos de pseudo anti-fascistas revolucionários de merda.

Desabafos
25'Abr'74
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domingo, abril 24, 2011

Greve à democracia

O avesso e o direito

A cidadania constitui um estatuto e uma virtude. É que cada um de nós, pela mera pertença à República, tem um conjunto de direitos e de deveres – é o estatuto; e deve exercê-los com zelo – é a virtude.

Nesses direitos e deveres, conta-se o de eleger e o de ser eleito. Mas nas escolhas que são postas ao cidadão eleitor, é bem legítimo que ele possa dizer: nenhuma serve a comunidade. Chama-se a isso voto branco.

Ora é importante que se perceba que votar em branco tem a mesma dignidade cívica do que votar no partido A ou no partido B.

A cidadania, enquanto virtude, exige que se cumpra o direito/dever de votar, que integra o seu estatuto, mas não predetermina qualquer sentido para o voto.

Já a abstenção é, no mínimo, a mais reprovável indiferença para com as exigências da cidadania. Que em nome dela se tenha o descaramento de propor, como medida regeneradora do regime, a greve à democracia, isto é, a abstenção em massa, nas próximas eleições, mostra que o Bastonário da Ordem dos Advogados, em vez de apelar à cidadania, como o seu cargo impunha, opta pelo sound byte, esquecendo que à democracia não se faz greve, nem que seja por um só dia.

In Correio da Manhã online
24/04/2011
Por: Magalhães e Silva, advogado

Nota: Em primeiro lugar, a fazer uma greve tem de existir algo que seja a origem dessa manifestação institucional, consagrada na actual Constituição da República Portuguesa, que é a greve! Em segundo lugar e porque esse algo não existe, pelo menos em toda a acepção da palavra "democracia", embora nos queiram incutir à força que sim que ela existe e está viva, penso que a ABSTENÇÃO é uma das formas cívicas de o Povo mostrar aos políticos rascas deste País, todos eles, sem excepção, porque nenhum presta pelo que já deu para entender desde há quase 4 décadas a quem não anda encarneirado em rebanhos ou usa palas nos olhos como as bestas, que não tem opção de escolha no Boletim de Voto que nos colocam à frente dos olhos.
Depois, votar em branco é um suicídio porque com tanto aldrabão pelo meio, ainda existirá uma mãozinha alheia que colocará uma cruzinha onde muito bem entender que não o próprio eleitor, sem alguém dar por isso.
Finalmente, anular o boletim de voto não será a melhor forma de fazer transparecer a nossa indignação e revolta por não existir ninguém na lista de ofertas, que mereça a nossa confiança, estima e respeito.
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sábado, abril 23, 2011

Amor à Pátria

Pensar Alto

Em toda a Europa, discutem-se novos caminhos para a sua construção, a intervenção em Portugal (nomeadamente considerando o fracasso na Grécia e na Irlanda), debate-se a criopreservação da democracia que essas operações têm implicado.

Por cá, impera o consenso. E ainda se pede à troika que interfira estruturalmente no Estado, desde direitos sociais a questões fiscais. Roga-se-lhe que, sem ser eleita, governe o país. Há quem pense que este coro se deve ao messianismo sebastiânico. Outros acreditam que se trata da espinha partida por quase meio século de ditadura. Alguns crêem que se deve a esse provinciano deslumbre pelo estrangeiro. Ou que, simplesmente, é uma admissão de incompetência. Nada disso.

É tudo por amor. "Compromissos Portugal", governos de salvação nacional, garantir o apoio dos maiores partidos para que o resultado das legislativas não altere as imposições externas, desprezar a vontade popular, tudo isso e muito mais é por amor. Afinal, adaptando uma velha tirada, se tivessem graça e franqueza (uma elevada improbabilidade, reconheça-se), à pergunta "comprometeram-se pelo país por amor ou por interesse?" esses pastores unanimistas responderiam: "Deve ter sido por amor, porque interesse não tínhamos nenhum."

In Correio da Manhã online
23/04/2011
Por: Joana Amaral Dias, Docente Universitária
pensaalto@gmail.com
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Teixeira dos Santos

Dia a dia

O afastamento de Teixeira dos Santos das listas do PS é exemplar sobre aquilo que é a relação de Sócrates com quem o serve.

Se o serve de forma obediente ou mesmo servil, se o serve com uma mais-valia de utilidade que não se pode dispensar em qualquer altura, está tudo bem. Se, pelo contrário, o serve de forma leal mas pensando pela sua própria cabeça, mantendo alguma capacidade de dizer que não, então não é soldado que sirva para todas as lutas. No momento certo, há-de vir o ‘fogo amigo’ a dar cabo de tal servidor.

Teixeira dos Santos foi vital para Sócrates. Foi o homem certo no lugar certo quando, ao fim de dois meses de Governo, Sócrates já não suportava a capacidade de Campos e Cunha, o primeiro ministro das Finanças dos governos de Sócrates, de dizer que não a tudo o que queria.

Teixeira dos Santos, mais maleável, com maior sentido político, foi o abono de família de Sócrates. Permitiu-lhe fazer o que queria com as finanças públicas, inclusive um criminoso orçamento eleitoralista em 2009. Esticou até ao impossível a resistência a pedir ajuda externa. Quebrou no limite de ver a sua própria credibilidade como economista ferida para sempre. Sócrates não gostou e fez o que sempre faz a quem o contraria: atira para fora da estrada. Só surpreenderá os mais incautos...

In Correio da Manhã online
23/04/2011
Por: Eduardo Dãmaso, director-adjunto
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sexta-feira, abril 22, 2011

P I G

O Quarto Poder

Imagine que vai para fora e dá dinheiro a alguém para tomar conta da sua casa e fazer a gestão da sua vida. Imagine que, ao regressar, descobre que o dinheiro se foi, está endividado até ao pescoço e a casa está a cair aos bocados.

Imagine que tem de estender a mão a um vizinho para escapar a viver sem abrigo. Volta a pôr a casa e a vida nas mãos de quem o desgraçou? Claro que não, só se for completamente idiota!

Mas, é isso que, segundo a última sondagem, são 36% dos portugueses. Idiotas! Querem dar o país de novo a quem o arruinou. Já não há sequer dinheiro para pagar os salários dos militares a tempo e horas, nem para tratamentos e remédios básicos, nos hospitais. Não há dinheiro! Foi gasto e mal gerido por gente que tem nome.

Noutra situação da vida comum, seriam julgados e penalizados. Como se trata do governo, a única sanção é não serem reeleitos. Mas, mesmo isto, 36% de idiotas acham que eles não merecem.

Não tenho respeito pela comunicação social que continua a levar a sério toda a propaganda deste governo sem qualquer tipo de sentido crítico. Há muito que é co-responsável por todo este desastre. Mas, convenhamos, um Povo que elege quem o leva à ruína merece ser PIG – Povo Idiota e Grunho (o FMI tem razão)!

In Correio da Manhã online
22/04/2011
Por:Manuela Moura Guedes, Jornalista

Nota: Que a voz nunca te doa.
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